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Me alugo para sonhar – Gabriel García Márquez

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Sonhar cansa. E tem gente que cobra menos por isso. Por Pinguim Urbano Me alugo para sonhar. Como não tenho mais nada, nem ninguém, alugo-me. Alugo meus olhos, para quem quiser ver com os olhos de dentro. Alugo meus braços, para quem não tem abraços. Alugo minhas pernas, para quem tem caminhos demais. Alugo minhas noites, para quem só dorme de dia. Me alugo barato, me alugo de graça. Me alugo para sonhar. “Me alugo para sonhar. Como não tenho mais nada, nem ninguém, alugo-me.” O poema já começa no fim. Quem diz isso não sonha mais por escolha — sonha porque é a única moeda que sobrou. Sonhar virou ofício, quase esmola. Quando a vida vira aluguel, até o que era sagrado vira prestação. “Alugo meus olhos, para quem quiser ver com os olhos de dentro.” A poesia aqui não é sobre esperança. É sobre cansaço. É sobre o sujeito que já cansou de olhar pra fora, e agora empresta o que sobrou de si. Um tipo...