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Os ombros suportam o mundo – Carlos Drummond de Andrade

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O mundo não pesa mais Análise por Pinguim Urbano • Selo: Clássicos Desfeitos Os ombros suportam o mundo Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não ...

O Amor - Carlos Drummond de Andrade

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Amor sobrevive, mas não sai ileso Por Pinguim Urbano O Amor O amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor. Carlos Drummond de Andrade Drummond não romantiza. Ele resume. O amor, pra ele, não é flor. É campo de batalha. E mesmo assim, o amor vence. Não por ser forte — mas por ser teimoso. Porque o amor apanha, sangra, morre mil vezes... mas continua reaparecendo. Como um sobrevivente de guerra emocional. Chamar o amor de “primo da morte” é declarar parentesco com o fim. É admitir que amar tem prazo, tem risco, tem algo de perda embutida. E que, ainda assim, a gente insiste. Ou pior: a gente nem precisa insistir — ele volta sozinho. “por mais que o matem (e matam)” Essa linha entre parênteses parece sussurro, mas é soco. Quantas vezes o amor já morreu no seu peito? Quantas vezes você matou o de alguém? Drummond não acusa. E...