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Gosto quando te calas

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Gosto quando te calas – A linguagem do silêncio em Pablo Neruda Gosto quando te calas Gosto quando te calas porque estás como ausente, e me ouves de longe, minha voz não te toca. Parece que os olhos tivessem de ti voado e parece que um beijo te fechara a boca. Como todas as coisas estão cheias da minha alma emerge das coisas, cheia da minha alma. Borboleta de sonho, pareces com minha alma, e te pareces com a palavra melancolia. Gosto de ti quando calas e estás como distante. E estás como que te queixando, borboleta em arrulho. E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança: Deixa-me que me cale com o silêncio teu. Deixa-me que te fale também com o teu silêncio claro como uma lâmpada, simples como um anel. És como a noite, calada e constelada. Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo. Gosto de ti quando calas porque estás como ausente. Distante e dolorosa como se tivesses morrido. Uma palavra então, um sorriso bastam. E eu estou alegre, alegre de que não s...

Soneto da Separação— Vinicius de Moraes

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Soneto da Separação Soneto de separação De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente. ~Vinicius de Moraes “De repente do riso fez-se o pranto…” Assim começa um dos sonetos mais comoventes da literatura brasileira. O Soneto da Separação , de Vinicius de Moraes, é uma ode à transição abrupta entre amor e dor, entre permanência e perda, entre o que se sente e o que se cala. Em apenas 14 versos, o autor transforma uma história de amor em um retrato sincero do fim — um fim que não é apenas factual, mas vi...

Bukowski - Garotas quietas e Limpas em Vestidos de Algodão

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Garotas quietas, vestidos de algodão e a dor de não caber na paz Garotas quietas, vestidos de algodão e a dor de não caber na paz Garotas Quietas tudo que eu sempre conheci foram putas, ex-prostitutas, loucas. vejo homens com mulheres quietas, gentis – vejo-os nos supermercados, vejo-os caminhando juntos pelas ruas, vejo-os em seus apartamentos: pessoas em paz, vivendo juntas. sei que sua paz é apenas parcial, mas existe paz, frequentes horas e dias de paz. tudo que eu sempre conheci foram comedoras de comprimidos, alcoólatras, putas, ex-prostitutas, loucas. quando uma vai embora chega outra pior do que sua antecessora. vejo tantos homens com garotas quietas e limpas em vestidos de algodão garotas com rostos que não são rapaces ou predatórios. “nunca traga uma puta com você,” eu digo para meus poucos amigos, “eu vou me apaixonar por ela.” “você não aguenta uma boa mulher, Bukowski.” preciso de uma boa mulher. preciso de uma boa mulher mais do que preciso de...