Poema do Menino Jesus – Alberto Caeiro
Entre o sagrado e o pó da estrada Análise por Pinguim Urbano • Selo: Clássicos Desfeitos Poema do Menino Jesus Num meio-dia de fim de primavera Tive um sonho como uma fotografia. Vi Jesus Cristo descer à terra. Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores para as deitar fora E a rir de modo a ouvir-se de longe. Tinha fugido do céu. Era nosso demais para fingir De segunda pessoa da Trindade. No céu era tudo falso, tudo em desacordo Com flores e árvores e pedras. No céu ele tinha que estar sempre sério, E de vez em quando tornar-se outra vez homem E subir para a cruz, e estar sempre a morrer Com uma coroa toda à roda de espinhos E os pés furados por um prego com cabeça. E até o que lhe ensinaram sobre o amor E a justiça e a bondade Cheirava a máquinas a trabalhar e a rangidos de ferros que custam a parar. Quando era me...