Todas as cartas de amor são ridículas – Álvaro de Campos
Ridículo é fingir que não sente Análise por Pinguim Urbano • Selo: Clássicos Desfeitos Todas as cartas de amor são ridículas Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas. As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas. Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia sem dar por isso cartas de amor ridículas. A verdade é que hoje as minhas memórias dessas cartas de amor é que são ridículas. (Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas.) ~Álvaro de Campos 1. Introdução e Contexto Fernando Pessoa, sob o heterônimo Álvaro de Campos, era o que mais carregava o peso das emoções no bolso — e o escondia mal. Escrito nos anos 1930, esse poema nasce num contexto de desilusão íntima: um tempo em que o modernismo ava...