Soneto da Separação— Vinicius de Moraes
Soneto da Separação Soneto de separação De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente. ~Vinicius de Moraes “De repente do riso fez-se o pranto…” Assim começa um dos sonetos mais comoventes da literatura brasileira. O Soneto da Separação , de Vinicius de Moraes, é uma ode à transição abrupta entre amor e dor, entre permanência e perda, entre o que se sente e o que se cala. Em apenas 14 versos, o autor transforma uma história de amor em um retrato sincero do fim — um fim que não é apenas factual, mas vi...