Medo da Eternidade - Paulo Leminski
Eterno demais pra valer Por Pinguim Urbano Medo da Eternidade sei que a vida não presta sei que a vida não dura sei também que a vida é curta e que não vale a pena nenhuma vida ser eterna ~Paulo Leminski Leminski não está pedindo desculpas por ser pessimista. Ele está sendo honesto — o que é bem mais raro. O poema começa com uma constatação seca: a vida, do jeito que ela é, não compensa. Não por ser dolorosa, mas por ser mal distribuída. Rasa demais pra merecer eternidade. Aqui, o poeta não está em crise existencial. Está de saco cheio. Cada linha é uma martelada na ilusão de que viver já basta. “Sei que a vida não presta” — sem drama, só lucidez gelada. A ironia aparece no último verso: “nenhuma vida ser eterna”. Parece contrassenso — afinal, eternidade costuma ser um prêmio. Mas Leminski inverte: se a vida já vem com prazo de validade emocional, estendê-la seria punição. E nesse ponto, ele não f...