Ode ao Gato – Pablo Neruda
Gato não se explica Por Pinguim Urbano Ode ao Gato (tradução) Os animais foram imperfeitos, longos de rabo, tristes de cabeça. Pouco a pouco foram se compondo, tornando-se paisagem, adquirindo graça, voo. O gato, só o gato apareceu completo e orgulhoso: nasceu completamente acabado, caminha sozinho e sabe o que quer. O homem quer ser peixe e pássaro, a serpente gostaria de ter asas, o cão é um leão desorientado, o engenheiro quer ser poeta, a mosca estuda para ser andorinha, o poeta tenta imitar a mosca, mas o gato quer ser só gato e todo gato é gato desde o bigode ao rabo, desde o pressentimento rato até a rosa das unhas. Não há unidade como a dele, ele é absolutamente claro e obscuro, como a noite, e o silêncio da pedra molhada. Seus olhos têm apenas uma fenda que deixa passar moedas de ouro. E depois dorme no ritmo da chuva e no sangue do gato todas as forças se aliam, um dia ele é apenas a sombra de um vitral na catedral da noite, no outro dia, salta como um rai...