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Medo da Eternidade - Paulo Leminski

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Eterno demais pra valer Por Pinguim Urbano Medo da Eternidade sei que a vida não presta sei que a vida não dura sei também que a vida é curta e que não vale a pena nenhuma vida ser eterna ~Paulo Leminski Leminski não está pedindo desculpas por ser pessimista. Ele está sendo honesto — o que é bem mais raro. O poema começa com uma constatação seca: a vida, do jeito que ela é, não compensa. Não por ser dolorosa, mas por ser mal distribuída. Rasa demais pra merecer eternidade. Aqui, o poeta não está em crise existencial. Está de saco cheio. Cada linha é uma martelada na ilusão de que viver já basta. “Sei que a vida não presta” — sem drama, só lucidez gelada. A ironia aparece no último verso: “nenhuma vida ser eterna”. Parece contrassenso — afinal, eternidade costuma ser um prêmio. Mas Leminski inverte: se a vida já vem com prazo de validade emocional, estendê-la seria punição. E nesse ponto, ele não f...

Amar para quê?

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Cor de raiva Por Pinguim Urbano Amar para quê? Amar é um elo entre o azul e o amarelo. Fico verde de raiva quando penso nisso. ~Paulo Leminski “Amar é um elo entre o azul e o amarelo.” Leminski começa brincando de roda com as palavras — mas o tapa vem logo depois. Usando três cores e cinco versos, ele traça um poema que parece leve à primeira vista. Parece. Porque por trás da ironia, tem frustração pura disfarçada de esperteza. O tal “elo entre o azul e o amarelo” é o verde . Mas o que deveria ser harmonia vira desconforto. Porque o verde aqui não é esperança. É raiva. O sentimento que sobra quando o amor não vale o que custa. “Fico verde de raiva / quando penso nisso.” A conclusão do poema quebra o romantismo da imagem anterior. Ele desmonta a metáfora como quem pisa no próprio presente dado. Não tem mais paciência. Não tem mais flor. Só sobra o sarcasmo. ...